<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d10930344\x26blogName\x3dEst%C3%A1tua\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLACK\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://estatua.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://estatua.blogspot.com/\x26vt\x3d8536630123854092094', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>
Estátua

 

segunda-feira, abril 10, 2006

segunda-feira, abril 10, 2006 - Disforme

O comboio passeia sempre as mesmas paisagens,
As mesmas pessoas vagueiam nele
num sombrio e triste movimento,
Trazem humidade às carruagens.
Fazem espelhos de imagens,
E olha-se um homem pela janela.

Pinga o espelho abafado onde o homem se olha,
Pela janela vê um mundo que já esqueceu
Por não se ter de esquecer,
Um mundo onde opta por não viver,
O homem no movimento acaba ali parado.

Estático olha pela janela,
Encanta-se com a beleza disforme,
Do incapacitado que não podia ser,
De mulher, de sonhos vê-se vestido,
Delicia-se com o que vê.

O espelho pinga as suas lágrimas de dor
Que a manhã acabará por secar,
Só a noite húmida nas carruagens,
Fará de novo o homem se relembrar,
O sonho que nunca foi.

---------------------------------------------------------------------------------
alt+enter
---------------------------------------------------------------------------------

O train vaga sempre as mesmas paisagens,
As pessoas iguais passeiam nele
movimento agitado sombrio e triste,
humidade trazem às carruagens.
espelhos projectados de imagens,
Parado, olha-se um homem.

O espelho dele pinga quente.
Há um mundo fora dele que se esqueceu
por já não se ter de esquecer,
Um mundo onde opta por não viver.

Estático olha pela janela,
Encanta-se com o estar fora,
Disforme, incapacitado, fora dele,
De mulher, de sonhos se veste,
Delicia-se com o não é.

O espelho pinga as suas lágrimas de dor.
De manhã acabarão por secar,
A rotina o fará relembrar
do sonho que nunca foi.

Permanent Link

domingo, janeiro 08, 2006

domingo, janeiro 08, 2006 -

Dans tes yeux je vois
un trou noir.
Noire qui ne compromet pas,
mais promet,
le vide qui rend tout possible.

J'assiste et vois,
Avec moi es spectacle.
Je t'ai joui et me distrait.

Tu es sang et moi un vampire.
Ès vie pour les passifs,
viande pour les âmes mortes,
s'appelle passion ce que tu transportes.

Colère de la destination,
du labyrinthe, labyrinthe,
sans toi je ne suis rien,
avec toi ne suis pas tout.

je crache loin,
et j'atteins une pauvre,
cherche un chant,
un chant pour que se cachent.

Permanent Link


domingo, janeiro 08, 2006 -

Je fixe un seul voie
avec le siège de visages.
J'oublie la faim des corps,
je regarde l'instant,
je vois le crépuscule étape,
à étape.

La vision:
sans poids ou espace,
sans quelconque raison.
éternel apporte nostalgie.

J'erre dans les vagues,
mon visage dit ton nom.
Témoigne ton existence
dans un silence dense,
où le désir se réveille
a pris et complice.
Il attend ta voix

regarder seul,
laquelle désire voir tien!
Mais regarde l'instant
qui traverse le crépuscule,
étape,
à étape.

Permanent Link

terça-feira, janeiro 03, 2006

terça-feira, janeiro 03, 2006 - Casamento perfeito

A neve perturba a minha visão,
enevoa o meu olhar.
O meu coração treme de medo,
sente frio por te ter longe,
por desconhecer o que sentes,
ficou sem tudo saber.

Um pedaço de mim foi arrancado,
por ti que me adoeces.
Vivo a tua não palavra,
mudo, inerte, és aquele que não aparece.

Mudaram os meus sonhos,
a minha magética transformou-se.
Mas voltei a cair,
a tropeçar no vazio da solidão.

Agora, existes na imaginação,
e quando olho em frente,
vejo tristeza, vejo-me a mim,
lado a lado com a morte.

Sem ti,
aqui,
contigo,
para sempre.

Permanent Link

sábado, dezembro 24, 2005

sábado, dezembro 24, 2005 - Natal

A imagem “http://us.news3.yimg.com/us.i2.yimg.com/p/ap/20051221/capt.lhw10712211232.britain_elton_john_lhw107.jpg?x=380&y=272&sig=.mHrQX5JvLQXBqME26wZpQ--” não pode ser mostrada, porque contém erros.

Escurece o pátio,
acendem-se as luzes de Natal.
Verdes, vermelhas, amarelas,
iluminam o meu caminho
nesta triste solidão.

O que fiz de errado?
Demasiado tempo sozinho?
Estou na escuridão,
rodeado de pessoas
e sinto-me sempre sozinho.

As luzes iluminam-me,
mas não me aquecem.
O frio penetra em mim,
gela o meu coração.
Deixei de sentir todo o tesão.

Perdi a vida que restava,
e apelo à morte nesta consoada.
Os sorrisos deprimem-me,
as vozes, os risos assutam-me.
Quero fugir, quero tanto morrer.

Simplesmente, perecer.

Permanent Link

quinta-feira, dezembro 22, 2005

quinta-feira, dezembro 22, 2005 -

Fixo um único caminho
com a sede de rostos.
Esqueço a fome dos corpos,
olho o instante,
vejo o crepúsculo passo,
a passo.

A vista:
sem peso ou espaço,
sem qualquer razão.
intemporal traz nostalgia.

Vagueio nas ondas,
a minha cara diz o teu nome.
testemunha a tua existência
num silêncio denso,
onde o desejo acorda
leve e cúmplice.
Espera a tua voz

olhar único, o meu
que deseja ver o teu!
Mas olha o instante,
que atravessa o crepúsculo,
passo,
a passo.

Permanent Link

terça-feira, dezembro 20, 2005

terça-feira, dezembro 20, 2005 - Baldes de água fria no meu pensamento

Contamino-me com as palavras que penso,impedem a minha acção, repelem o que sinto. Ao tocar-lhe sinto tesão, na pele que brilha, nos olhos que se fecham, e o meu coração bate com mais força. Fico paralisado a cada beijo, a cada sentir da sua pele tocar na minha.

Faltam-me as palavras quando ele me toca, quando ele me abraça faltam-me os movimentos. A isto cheira-lhe a ele indecisão, uma mentira com a qual eu o iludo. Estarei com dificuldade em sair do casulo, não bastarão os estalos que ele me dá para sair do casulo?

Fechei-me tanto contaminando-me de palavras, cresci com a maldade no meu imaginário. Cristalizei todo o meu corpo em função de uma única coisa: medo. Tinha medo daquilo que o outro pensava e portanto deixei de agir. Todos os meus pensamentos foram meras especulações sobre o que o outro pensava. Traí o meu corpo, trai-me a mim próprio com tantas palavras.

Fiquei um nabo que nada faz, uma coisinha. Faz, agir, ter vontade, deixou de estar presente em mim. Para onde voou aquele entusiasmo inicial? Penso que o mataram, e eu ajudei com o medo que alimentei.

Estou contaminado de palavras pois as acções morreram. Ficou apenas o insano discurso do imaginário que voa na minha cabeça. O sonho comanda as minhas acções, por isso fico inerte observando de olhos abertos o que vejo e sinto de olhos fechados: toda uma mentira do medo.

Encosto a cabeça ao meu ombro. Estou cansado de tanto observar e de parar, parar para ver o outro sentir, o outro entusiasmar-se. A coisinha observa o que o outro faz, ou disse. O outro cresce, a coisinha ficou parada no tempo. É frio este tempo que congela o corpo, que congela a mente e o coração bate fortemente à espera que algo surja.

O coração transformou-se num cubo de gelo que derrete a cada toque quente. De derretido passa a água e todos escorregam nele. Ninguém vem preparado com um pano absorvente, para limpar todas as lágrimas de dor há muito tempo sentidas. Ninguém aguenta tanta lágrima acumulada que ficou por sentir.

Se apenas sexo se tratar, na primeira noite há que fazê-lo, as seguintes tornar-se-ão dor. Tenho pânico, tenho medo, tenho receio. Tomara ter uns comprimidos milagrosos. Não tenho.

Permanent Link

sábado, outubro 22, 2005

sábado, outubro 22, 2005 -

Estou num quarto em Queluz, de um desconhecido que albergou o meu choro confuso. Morreu a minha mãe. Bebo Ferreira, vinho do Porto. A côr do vinho oferecido pelo jovem é semelhante ao sangue da minha mãe, e é bebido por mim, gole a gole, até que nada reste desta garrafa preta.

Choro a anunciada morte. Sei que só a minha mãe teve um elo por mim. E por causa desse elo eu quis tanto a minha independencia. Esse elo sufocou-me tanto que parti na descoberta de tudo o que era desconhecido, diferente. Só na diferença e na incompatibilidade com o que ela acreditava poderia quebrar um elo que tanto me fazia sofrer, e sobretudo me emudecia.

Acendo um Lucky e ele olha para mim. Triste por me ver vazio na expressão, mas ao mesmo tempo encontrava-se desejoso de se apoderar do meu corpo. Já com nojo da vida, já com nojo de tudo permiti. Deitámo-nos no chão e beijou-me. Correspondi da mesma forma chorando.

Estava livre, pensei, finalmente morreu o elo que me impedia de ser feliz. A barba dele excitava-me muito, mas a sua língua tornou-se fenomenal. Tinha perdido toda a sanidade e de pormenores construí com outro a celebração da morte da minha mãe.

Agarrou-me nos branços e obrigou-me a estar paralisado no chão frio. Estava confortável com a frieza daquele chão. Dois corpos frios, um chão e uma garrafa vazia de Ferreira. Tinha despejado o que restava do vinho do Porto sobre o meu corpo e docemente lambeu o meu peito e pescoço dando beijos celebrativos. Eu adoro esta minha liberdade. Estava desgarrado, não tinha elos, pesos na consciência, e com o alcool tudo tinha perdido no tempo.

Ela, finalmente, passado.

Teve impacto tudo o que aconteceu. Uma noite de corpos unidos e logo a seguir, mentes unidas. Conversámos durante toda a noite até a luz do sol espreitar pelos buracos dos estores.

-Não sei se estou feliz ou triste com a morte da minha mãe. Vi o corpo dela no hospital, seco, inerte, e senti-me bem quando encostei a sua cara na minha. Senti uma frieza igual à do meu coração. Talvez a felicidade seja superior à tristeza. Os momentos bons foram muito menos marcantes que os momentos maus.

-Como podes sentir isso pela tua mãe?

-Sou um cabrão de merda, um homossexual semelhante aos outros. Temos todos uma característica que nos une. Sentimos a dobrar todas as acções e todos os discursos. Acordamos num mundo onde sentimos que somos diferentes e por diversos anos ficamos a observar como tudo funciona. Não há homossexual nenhum que não tenha sido um desconstruccionista na sua juventude. Tentamos perceber pela lógica como funcionam os sentimentos do Homem. Chega a uma certa idade e desistimos. Após anos de angústia e sobretudo de choro escondido percebemos que ninguém nos conseguirá explicar o porquê de haver uma lei natural e nós nascemos, crescemos a sentir de forma diferente. Onde os outros homens vêem uma bela mulher, eu vejo uma coisa sem o mínimo interesse corporal. Cresce com isto!

-Tu não sabes, mas nunca tinha feito nada com nenhum homem.

-Hum, sério?

-Sério, mas gostei e deixaste-me confuso.

-Não é que eu queira, acredita.

-Por que dizes isso Daniel? Significa que não há elo nenhum?

-Desde a morte que fiquei sem elos, por que razão iria ter um novo?

-Pela razão de eu nunca conseguir atingir o nível da tua mãe.

-Deixamos as coisas acontecer? A minha mãe estará enterrada e eu lançarei sobre ela o primeiro punhado de terra. Um pouco de terra com bichos representará o meu ódio que comerá o seu corpo. Um rosa murcha seguirá também, representa os sentimentos bons que cheguei a nutrir por ela, mas que estupidamente os conseguiu eliminar. Já morta e ainda tenho raiva dela. Até acho isto estranho, mas é o que sinto. Estou farto de me mentir. Se há um elo eterno com o qual quero sempre ter relações apertadas é com a verdade das acções. Em que eu possa ser feliz e na mentira traiçoeiro e triste. E isto é a verdade...

Voltei a beijá-lo e a abraçá-lo tocando no seu corpo quente e pegajoso. Agarrei a pele dele, músculos, ossos, cartilagem. Com a minha língua saboriei a sua alma. Nada tenho a perder com a verdade, pensei. Tristemente ela é o meu prémio, e eu a sua caça. Que doce relação, sabe a vinho do Porto. Desta vez tinha sido eu a fazer quase tudo e além de tocar soube também o gosto mais profundo e gostei.

[CONTINUA]

Enrolou uma ganza para fumarmos, achei aquilo perigoso. Fico demasiado excitado, mas também cansado com o efeito. O que desejo sexualmente duplica quando fumo uma ganza. Fumámos os dois, partilhámos enquanto ele fazia outra.

Estava no quarto de um tipo que desconhecia. Como terei vindo aqui parar? Tinha breves "flashes" de memória e tinha conhecido ele na morgue enquanto reconhecia um corpo. No Amadora-Sintra arranjei um "sex-patner". Ri-me e ele ficou a olhar para mim.

-Tá a fazer efeito.

-Nem sabes o quanto.

Ele assustou-se e eu ria-me. Parei de rir e olhei para ele com um olhar sério:

-Quem és tu?

Ele seriamente respondeu-me:

-Eu sou nada, um nada que gosta de ti.

Eu sorri olhando nos seus olhos. Olhei para as suas sobrancelhas, olhei para os seus lábios, as suas feições, o seu nariz e apeteceu tê-lo em mim, enconstado e nunca largá-lo mais. Ficar ali, inerte, agarrado a sentir a vida que vinha dele. Sentia-me um vampiro prestes a sugar o nada dele. Talvez estivesse a aprender a amar. Disse:

-Quero-te muito, talvez sempre.

-Sim?

- Muito, muito.

Ele respondeu-me com acções. Quando estava a ser demasiado demovi-o e fui à cozinha. Estava arrumada e facilmente encontrei outra garrafa. Whisky. Despejei sobre o seu peito e vendo o líquido constantemente a descer, bebia-o momentos antes de escorregar para o chão. Por vezes lembrava-me da minha mãe e ria-me. Ele também, mesmo desconhecendo os motivos.

-Sabes uma coisa? - perguntei-lhe.

-Apetece-me dizer que o nada que tens permite preencher tudo o que tenho para depositar.

Acho que nunca ele tinha estado com uma mulher que o tentasse tantas vezes. Quanto mais com um homem. Nunca. Enquanto me dizia algo tentador de se ouvir, parecia-me que transbordava prazer. Bebia mais.

Tinhamos os dois perdido o conceito "NOJO" e tornámo-nos logo de seguida em dois nojentos. Porcos num curral já quente que fodiam cheios de álcool e droga nos pulmões. As nossas consciências apenas respondiam ao amor? que crescia de nós. Celebrávamos a morte da minha mãe e do irmão dele. Viviamos a diferença contra tudo e contra todos. Éramos dois, unos na vida.

Ejaculou uma vez mais e adorava ver a sua cara de animal naquele momento. É incontrolável, e naquele momento mais nada importa para além do prazer. Ali há honestidade e verdade, durante a ejaculação em mais nada se pode pensar. O prazer sobe-nos pela espinha onde se difunde pelos neurónios. Ele adorava e eu a seguir ou antes também. A ordem não interessava. Criámos um elo no caos desconhecido.

Apaguei a luz e esperei que ele adormecesse. Na escuridão vi o meu refllexo mórbido de um vivo que anseia a morte, seja de que maneira for.

Abandonei o momento e saí.

Permanent Link

sábado, junho 11, 2005

sábado, junho 11, 2005 - Algo de bom a recordar: a ilusão

Tudo remonta ao passado. Quem somos pertence ao passado e é isso que determina o nosso presente. Naquelas brincadeiras que se tem na primária tive a minha primeira experiência que colocou todos os meus nervos em êxtase. Nessa altura, onde era muito novo, já tinha uma namorada, mas tudo não passava de ficção. Beijávamo-nos para os outros verem. Tínhamos a necessidade de imitar os adultos e recordo-me de darmos um beijo na boca para a minha avó ver. A sua reacção foi um sorriso aprovativo.

No entanto, ninguém sabia o que se passava no colégio. No colégio sempre me identifiquei mais com as raparigas, com a sua sensibilidade, brincadeiras. Jogar à bola parecia-me, muitas vezes, algo estúpido. Correr atrás de uma bola para a chutar. Preferia falar do que fazer desporto. O poder em torno de uma bola nunca me interessou, nem sequer as conversas fúteis que se geram em redor de uma bola.

No colégio havia uma casa fictícia de plástico, imitando as casas, mas mais pequena e cheia de cores. Uma maravilha para as crianças que estão sempre a imitar os adultos. Na tentativa de imitação, o simulacro tinha de ser perfeito e éramos cinco rapazes e três raparigas.

- Eu fico com ele! - Gritou a Sónia.

No fim das escolhas, sobrámos dois. Foi a primeira vez que senti a exclusão que muitas pessoas sentem por a realidade não lhes ser favorável. Obrigatoriamente só podiam haver casais numa casa. Na cabeça de uma criança apenas casais vivem numa casa. Imitámos as comidas, simulámos que comíamos, que lavávamos a loiça. Porém, chegou a parte complicada para todos – imitar as relações amorosas entre os casais. Todos se beijavam e agarravam. Chegava a minha vez: a minha e a do Tiago. Sentei-me no seu colo e ele abraçou-me. Ao mesmo tempo dava-me beijos no pescoço em frente aos restantes casais que se beijavam, mas olhavam-nos também com espanto. Além dos beijos no pescoço o Tiago foi descendo lambendo-me as costas. Aí senti o meu corpo tremer pela primeira vez. Os meus nervos atingiram um ponto onde eu deveria ser apenas energia. Não fiquei com tesão, nem nada que se pareça. Fiquei com uma sensação que não me esqueço até hoje. Senti-me desejado e relaxado ao mesmo tempo. Os outros olhavam-nos com espanto ou inveja. Tal como eu quando beijava a minha fictícia namorada, eles não sentiam prazer. O simulacro naquele momento, deixou de ser um simulacro e sentia isso no corpo. Tudo acabou de repente. Ainda hoje imagino o que teria pensado uma professora se nos visse. Como elas estão tão formatadas pelas regras sociais, penso que teria um ataque de histeria.

Passada uma semana terminei tudo com a Marlene, a fictícia namorada. Apenas pensava na sensação que tinha tido. Era óptima, mas o momento para a ter novamente não se proporcionou mais. Com a idade os modelos sociais vão-se penetrando cada vez mais nas crianças. O "não faças isso" ou o "isso não se faz" vai reprimindo a descoberta do mundo pelo corpo. Sinto que fazem isso para poderem enfiar as crianças em salas de aula onde lhes formatam a cabeça com contas e histórias, mas nada que se sinta com o corpo. Tiram o prazer da descoberta às crianças. O corpo começa a parecer inútil a partir do primeiro ano - a primeira fase intensiva da formação escolar. As crianças começam a ter vergonha do seu corpo, a escondê-lo mais que as mulheres. O complexo da pila começa a partir desta idade. Na educação em vez de darem liberdade às crianças para aprenderem consigo e com materiais, colocam velhas e professoras formatadas a despejarem conteúdos que as pessoas já mortas, enterradas na terra, acharam legítimos. De uma perspectiva mais adulta, hoje existe pena de todos nós, seres moldados por padrões que nem sequer fomos nós a criá-los.

Permanent Link


sábado, junho 11, 2005 - A começar

Apenas me mostras merda! Tenho pena que sejas apenas merda. Merda! Merda! Merda! Tenho pena, merda! - Gritou-me.
Desistes de mim Nelson? - Perguntei.
Sim. Estou triste, muito triste. - Respondeu-me.

Fiquei à espera olhando para o ecrã por mais de duas horas. Fiquei sozinho, lonely, em frente a um computador. Senti-me nada. Liguei os auscultadores e fiquei a pensar no que podia fazer. Agir era necessário, mas não sabia como. O computador e a net ao mesmo tempo que nos conecta também nos desconecta da acção. Os nossos corpos transformam-se em merda. Merda formada por bits de informação que se perdem em "logs" e no ciberespaço.

Comecei a pensar no meu mundinho. Fiz uma reflexão, entrei dentro de mim mesmo, no meu passado. Num acto introspectivo quis descobrir o que me tinha transformado em merda. Desejei assim encontrar o caminho para sair da merda assumindo quem sou e o meu passado. Encontro-me sozinho, alguém com amor de ninguém. Sou o bicho que vive no curral, que chafurda triste na sua própria merda e precisa, por conseguinte, de fazer uma limpeza. Pudera eu ter a "arte fina de inventar", aliás todos a temos. A nossa realidade é apenas uma perspectiva sobre o que os acontecimentos. Uma narrativa que tenta compreender o real. O ciberespaço para mim é o único sítio onde não tenho amarras e onde não tenho pessoas e espaços a dizerem-me quem sou.

Permanent Link

terça-feira, junho 07, 2005

terça-feira, junho 07, 2005 - Sonhar com a merda

As palavras vão escorregando,

caem pelo rio da vida,
enquanto eu me vou metaforizando.

Neste espaço que é pequeno,
onde o tempo não tem futuro,
e a sina que é minha não me aguarda.

Jogo fora toda a poesia,
para declamar apenas um poema.
O da merda, da merda pequenina.

Merda, que palavra bondosa,
para tanta utilização,
já deverias ter saído de moda.

Vai à merda,
vai tu.
Oh que merdosa carência!

Mas merda me sinto quando escrevo merda.
Cheiro a merda que fui e sou.
Oh merda, merda, tão tenebrosa merda.

Enfim, durmo, com pensamentos de merda.
Durmo contigo, minha merda,
Que a merda melhor da merda está longe.

A merda está,
infeliz, mente, mente!
noutro lugar.

Permanent Link